quinta-feira, 31 de março de 2016

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II POR OCASIÃO DOS 200 ANOS DA MORTE DO PAPA PIO VI

A D. DIDIER-LÉON MARCHANDBispo de Valença
Há dois séculos, no dia 29 de Agosto de 1799, morria em Valença o Papa Pio VI. Desejoso de prestar homenagem à grande figura deste Papa e, ao mesmo tempo, conservar a lembrança deste período doloroso, tomaste a iniciativa de comemorar este evento, a fim de que as gerações presentes pudessem dele haurir ensinamentos. Saúdo-te cordialmente, assim como o meu Enviado Especial à tua Diocese, o Senhor Cardeal Roger Etchegaray. Associo-me, com o pensamento e a oração, a todos os que estão reunidos para evocar a memória do meu predecessor, que amou e serviu a Igreja de Cristo.
Os últimos meses de Pio VI foram o seu caminho de cruz. Com mais de oitenta anos, gravemente atingido pela doença, ele foi arrancado da sede de Pedro. Em Florença pôde gozar durante algum tempo duma relativa liberdade, que lhe permitiu exercer ainda a sua responsabilidade de Pastor universal. Depois, foi obrigado a atravessar os Alpes pelos caminhos nevados. Chegou a Brainçon, em seguida a Valença, onde a morte pôs termo à sua viagem terrestre, fazendo com que alguns acreditassem que com ela acabassem a Igreja e o papado. Convém recordar aqui a palavra de Cristo a Pedro, que corresponde àquilo que viveu o Papa Pio VI nesse ano de 1799: «Quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde tu não queres» (Jo 21, 18).
Pio VI aceitou a provação com serenidade e na oração, e no momento da sua morte perdoou aos seus inimigos, suscitando-lhes assim admiração. Entretanto, aos seus sofrimentos físicos acrescentou-se um tormento moral a respeito da situação eclesial. Apesar dos transtornos que a França então atravessava, ele recebeu numerosos e comovedores sinais de respeito, de compaixão e de comunhão na fé por parte das pessoas simples, ao longo de todo o caminho, em Briançon, Grenoble e Valença. Por mais humilhado que tenha sido o pai comum dos fiéis, como lhe chamava o poeta Paul Claudel, era reconhecido e venerado pelos filhos e filhas da Igreja. Este acolhimento simples e afectuoso naquelas circunstâncias dramáticas, é uma consolação para todos.
Esta página da história da Igreja e da França é uma fonte de ensinamento. Ao longo da sua história bimilenária, a Igreja passou sem cessar por múltiplas provações. Ela é chamada a conservar a coragem, pois a sua missão lhe vem do Senhor, que jamais a abandona: como foi prometido, Cristo está connosco até ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20). Nos momentos difíceis, é oportuno antes de tudo acolher a graça de Deus, que faz aumentar a fé, sustenta a esperança e mantém firmemente a comunhão entre todos os discípulos de Cristo. É o Espírito Santo que age, e é Deus que dá o crescimento à obra empreendida por todos os missionários do Evangelho, bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos (cf. 1 Cor 3, 6).
O pontificado de Pio VI evoca os méritos do papado que, ao longo dos séculos, se empenhou em defender a liberdade da Igreja perante as exigências dos poderes civis. É por isso que numerosos Papas lutaram e sofreram até ao dom da própria vida. Com efeito, a liberdade religiosa é um direito para toda a pessoa humana, em razão da sua própria dignidade, como afirmou o Concílio Vaticano II (cf. Declaração Dignitatis humanae, 2). Em todas as nações, a liberdade espiritual e a liberdade religiosa são de modo particular importantes. Sem elas, as outras liberdades pessoais e colectivas não são possíveis. A liberdade religiosa é uma condição indispensável à edificação duma nação, assim como à colaboração e à amizade entre os povos. Neste espírito, ao longo de toda a história, o cristianismo teve sempre a solicitude de unir e agrupar os homens e os povos, ajudando-os incansavelmente a construir uma sociedade mais justa e mais fraterna, a fazer com que se instaure a paz, essencial para o crescimento integral das pessoas e das comunidades humanas.
Por outro lado, é preciso mencionar o lugar dado aos direitos do homem, que recordam que o ser humano é o centro da vida social. Esta exigência legítima não deve fazer esquecer que os direitos do homem se fundam sobre valores morais e espirituais, e que ninguém se pode considerar como o senhor dos seus irmãos. O Criador é o único senhor do tempo e da história. Graças à lei natural, Ele pôs no coração dos homens o desejo do bem. O lema da França, Liberdade, igualdade e fraternidade, associa oportunamente aquilo que depende da liberdade individual à necessária atenção para com todos os irmãos, sobretudo os mais pequeninos, os mais débeis, desde a concepção até à morte natural.
A comunidade católica na França possui uma rica história. Os fiéis católicos, ao exprimirem a sua adesão ao Papa, manifestam abertamente a sua fé em Cristo e a sua pertença à Igreja; no seu caminho espiritual, eles haurem dela a força para a sua missão e para o serviço da sua pátria e dos seus compatriotas. Estão empenhados no seu país e prosseguem sem cessar o diálogo com todos os componentes da nação, sobretudo com as comunidades protestantes, numerosas na tua região, que saúdo de todo o coração. Exorto então os católicos a tomarem parte activa na vida do seu país, a nível local, regional e nacional. Como já dizia a Carta a Diogneto, «os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma encontra-se em todos os membros do corpo, os cristãos estão em todas as cidades do mundo... Tão nobre é o posto que Deus lhes assinalou, que não lhes é possível desertar». Em colaboração com todos os seus irmãos, eles têm um serviço a prestar ao próprio país e é em conjunto que todos os franceses devem prosseguir nos seus empenhamentos ao serviço do homem, da sociedade e da fraternidade entre todas as pessoas. A rejeição do reconhecimento da dimensão espiritual e religiosa das pessoas e das comunidades humanas constituiria um empobrecimento dos indivíduos e do dinamismo social.
No limiar do terceiro milénio, é importante que os discípulos de Cristo reconheçam os seus laços de comunhão e trabalhem para encontrar a sua unidade ao redor do Sucessor de Pedro. Esses laços de afecto, livremente expressos, testemunham a necessidade, tanto para a construção da Europa como para as relações internacionais, do contributo indispensável da liberdade religiosa e do respeito das consciências, cuja defesa o Papa Pio VI, na linguagem e mentalidade do seu tempo, tinha procurado assegurar. Com efeito, qualquer empreendimento político, social ou económico que não tenha em conta as pessoas e os povos, faz com que o conjunto das nações, a paz entre os países, o reconhecimento dos povos e a indispensável liberdade das pessoas corram graves riscos.
Ao confiar-te à intercessão da Virgem Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja, e dos santos Bispos de Dic, de Saint-Paul-Trois-Châteaux e de Valença, concedo-te de todo o coração a Bênção Apostólica, assim como a todos os teus diocesanos e àqueles que participarem nas diferentes manifestações que marcarão a comemoração da morte do Papa Pio VI na tua cidade.
Castel Gandolfo, 25 de Agosto de 1999.

Leis sobre difamação de religiões deviam ser rejeitadas, recomendam especialistas


Romênia foi o ponto de encontro da 10a. reunião de liberdade religiosa
September 15, 2008 Bucharest, Romania
Rajmund Dabrowski/ANN


A partir da esquerda, John Graz, secretário-geral da Associação Internacional de Liberdade Religiosa, Viorel Dima, presidente da Associação de Consciência e Liberdade, e Bogdan Olteanu, presidente da Câmara de Deputados da Romênia. A 10a. conferência do Grupo de Especialistas em Liberdade Religiosa reuniu-se em Bucareste, Romênia, de 8 a 10 de setembro. [fotos: Rajmund Dabrowski]

A partir da esquerda, Lee Boothby, vice-presidente da Academia Internacional para Liberdade Religiosa e Crença, David Little, professor da Escola de Divindade Harvard, e Cole Durham, professor da Universidade Brigham Young, durante a conferência de Bucareste.
Especialistas em liberdade religiosa estão expressando preocupação sobre propostas para regulamentar a liberdade de expressão e abolir leis de difamação religiosa. Reunindo-se em Bucareste, Romênia, de 8 a 10 de setembro, a 10a. conferência do Grupo de Especialistas em Liberdade -- consistindo de acadêmicos, pessoas atuantes na área e outros especialistas em direitos humanos e religião -- discutiram a questão crescente de linguagem de intolerância e "difamação de religiões". Dando abertura à conferência, John Graz, Secretário-Geral da Associação Internacional de Liberdade Religiosa (sigla em inglês IRLA) declarou que "questões que envolvem linguagem intolerante e difamação de religiões têm estado na linha de frente daqueles que se preocupam com direitos humanos ao longo dos últimos anos e a IRLA está buscando uma avaliação das propostas para que se produzam novas medidas regulatórias internacionais". Na medida em que pessoas e grupos religiosos por todo o mundo se acham sujeitos a acusações maliciosas e insultuosas, a linguagem de intolerância, tem sido às vezes precedida por ataques violentos e intimidação. Graz, que é também diretor do Depto. de Relações Públicas e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista do Sétimo Dia a nível mundial, perguntou: "Qual será o custo real da liberdade de expressão se tais propostas vierem a ser aprovadas?" Durante a sessão final, o Grupo de Especialistas concordou, segundo Graz, em que "nenhuma legislação específica deveria ser votada a não ser a linguagem de intolerância limitada de acordo com leis de direitos humanos já existentes". Vários especialistas falaram de situações existentes em que certas formas de linguagem constituem incitamento à violência e discriminação. Tais tipos de linguagem podem ser limitadas segundo leis internacionais de direitos humanos, mas os especialistas preocuparam-se com o fato de que certas propostas relativas à questão não resolverão o problema subjacente de crimes motivados por ódio religioso. Em vez disso, aumentará a intolerância religiosa e infringirá na igualdade fundamental do direito humano de liberdade de expressão e religião, o que inclui a crítica a idéias religiosas, disseram eles. Uma preocupação que os especialistas discutiram foi a falta de uma definição universalmente aceitável quanto à difamação de religiões. Os especialistas também expressaram preocupação de que qualquer definição será vaga e susceptível a variadas interpretações, especialmente as que têm por base as sensibilidades dos ouvintes. Sem claras diretrizes quanto ao que constitui difamação, os padrões propostos serão arbitrários e postos em vigor desigualmente, prejudicando aqueles que são designados em protegê-los, disseram. Referindo-se à linguagem intolerante e difamação de religiões como uma "questão de grande preocupação", a Profa. Rosa Maria Martinez de Codes, da Universidade Complutense, de Madrid, Espanha, declarou que na Europa "precisamos edificar pontes entre todas as diferentes confissões religiosas, levando em conta que temos cerca de 12 a 13 milhões de adeptos do Islã. A linguagem intolerante é algo que devia ser eliminada de nosso vocabulário, educação, atitudes, e isso significa melhorar as políticas públicas que provêem as diretrizes para escolas -- públicas e privadas -- a fim de reforçar um melhor entendimento e respeito pelos semelhantes", disse Martinez. O Prof. David Little da Escola de Divindade Harvard advertiu contra permanecer em silêncio com respeito à proposta feita às Nações Unidas pela Organização das Assembléias Islâmicas, e também alguns relatórios da ONU que visam a restringir linguagem de difamação de religiões. "Se não tomarmos posição em oposição a algumas dessas propostas, as coisas serão piores", disse Little. "Seriam piores porque as organizações internacionais, especificamente as Nações Unidas, poderiam inclinar-se a restringir a linguagem religiosa e assim derrotar alguns dos propósitos que nós, neste grupo, cremos serem desfrutados por se permitir mais linguagem aberta de crítica de uma religião com respeito a outra, um grupo religioso dentro de outros grupos religiosos, etc., ... Se não permitirmos esse tipo de linguagem, é mais e mais provável que os benefícios da liberdade de expressão serão negados e estaremos numa condição pior". O Prof. Cole Durham, da Faculdade de Direito da Univ. Brigham Young, acredita que "há real urgência no que tange a linguagem intolerante e difamação de religiões. Pois para cada ponte sendo edificada entre o Ocidente, entre cristianismo e islamismo, há cinco sendo queimadas, e precisamos trabalhar com incrível velocidade porque é muito mais difícil edificar relações positivas, muitas relações positivas pode ser destruídas num instante por um simples evento, como os desenhos humorísticos dinamarqueses. "Eventos destrutivos são muito mais fáceis de ocorrer e causam muito maior dano e a obra de restauração é extraordinariamente difícil", comentou Durham. Durham declarou que iniciar leis que proíbam a liberdade de expressão pode visar a proteger a minoria, mas de fato pode ser direcionada contra esta. Descrevendo isso como "o paradoxo da linguagem intolerante", Durham explicou que "muitas vezes pensamos na lei segundo a qual se algo é mau e aprovamos uma lei contra isso, tal fato automaticamente desaparecerá como se a lei tivesse uma varinha de condão. De fato, temos de pensar muito cuidadosamente porque com muita freqüência a aprovação dessas leis não ajudará realmente grupos minoritários, pois temerão invocá-las; temem que se o fizerem isso apenas servirá como um pára-raio e receberão ainda maiores ataques, receberão mais telefonemas ameaçadores, ou todas as formas de pressão que a oposição social puder criar". "Obtém-se o oposto ao que se intencionava", aduziu Durham. Seguindo-se à reunião os participantes da conferência da IRLA uniram-se a representantes da Câmara de Deputados e Senado da Romênia, incluindo o presidente do Senado, Nicolae Vacaroiu, e o presidente da Câmara de Deputados Bogdan Olteanu, líderes religiosos e governamentais, acadêmicos num simpósio de dois dias, de 10 a 11 de setembro, sobre "Comunicação Interconfessional na União Européia".


terça-feira, 24 de maio de 2011

Como nos tempos da Inquisição

Como nos tempos da Inquisição
Rodrigo Martins 23 de maio de 2011 às 17:43h

Após defender o direito à união civil homoafetiva a CartaCapital, o pastor Ricardo Gondim vira alvo de ofensas na internet e perde o posto de colunista em revista evangélica na qual escrevia há 20 anos

Após defender o Estado laico e o reconhecimento jurídico da união homoafetiva em entrevista a CartaCapital no fim de abril (clique aqui para ler), o pastor Ricardo Gondim, líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista, virou alvo de ferrenhos ataques de grupos evangélicos na internet. Um fiel chegou a dizer, pelo Twitter, que se pudesse “arrancaria a cabeça” do pastor herege. “É como se vivêssemos nos tempos da Inquisição”, comenta Gondim, que já previa uma reação de setores do mainstream evangélico, os movimentos neopentecostais com forte apelo midiático. Surpreendeu-se, no entanto, ao ser informado que, graças às declarações feitas à revista, não poderia mais escrever para uma publicação evangélica na qual é colunista há 20 anos.

“Fui devidamente alertado pelo reverendo Elben Lenz Cesar de que meus posicionamentos expostos para a CartaCapital trariam ainda maior tensão para a revista Ultimato”, escreveu Gondim em seu site pessoal, na sexta-feira 20. “Respeito o corpo editorial da Ultimato por não se sentir confortável com a minha posição sobre os direitos civis dos homossexuais. Todavia, reafirmo minhas palavras: em um Estado laico, a lei não pode marginalizar, excluir ou distinguir como devassos, promíscuos ou pecadores, homens e mulheres que se declaram homoafetivos e buscam constituir relacionamentos estáveis. Minhas convicções teológicas ou pessoais não podem intervir no ordenamento das leis.”

Por telefone, o pastor explicou as razões expostas pela revista evangélica para “descontinuar” a sua coluna, falou sobre as ofensas que sofreu na internet e não demonstrou arrependimento por ter falado à CartaCapital em abril. “A entrevista foi excelente para distinguir algumas coisas. Nem todos os evangélicos pensam como esses grupos midiáticos que confundem preceitos religiosos com ordenamento jurídico e querem impor sua vontade a todos.”

CartaCapital: Qual foi a justificativa dada pela revista Ultimato para descontinuar a sua coluna na publicação?
Ricardo Gondim: Eu escrevi para a Ultimato por 20 anos. Trata-se de uma publicação evangélica bimensal, na qual eu tinha total liberdade para escrever sobre o que quisesse. Não falava apenas da doutrina, mas de muitos assuntos relacionados ao cotidiano evangélico. E nunca sofri qualquer tipo de censura. Mas, agora, eles entenderam que as minhas declarações a CartaCapital eram incompatíveis com o que a Ultimato defende e expuseram três argumentos para justificar a decisão. Eu não concordo com essas teses e, para dar uma satisfação aos leitores, publiquei uma carta de despedida no meu site (www.ricardogondim.com.br).

CC: A defesa dos direitos civis de homossexuais foi um dos aspectos criticados pelo corpo editorial da revista?
RG: Sim. Eles entendem que o apoio à união civil de homossexuais abriria um precedente dentro das igrejas evangélicas para a legitimação do ato em si, a homossexualidade. Tentei explicar que uma coisa é teologia, outra é o ordenamento das leis. Num Estado é laico, não podemos impor preceitos religiosos à toda a sociedade. Uma coisa não transborda para a outra. Dei como exemplo o fato de a Igreja católica viver muito bem em países que reconhecem juridicamente o divórcio, embora ela condene a prática e se recuse a casar pessoas divorciadas. Eu não fiz uma defesa da homossexualidade, e sim dos direitos dos homossexuais. O direito deve premiar a todos. Num Estado democrático, até mesmo os assassinos têm direitos. Não é porque eles cometeram um crime que possam ser torturados ou agredidos, por exemplo. As igrejas podem ter uma posição contrária à homossexualidade, mas não podem confundir seus preceitos com o ordenamento jurídico do país ou tentar impor sua vontade. Muitos disseram que o Supremo Tribunal Federal tripudiou sobre as igrejas evangélicas ao reconhecer a união estável homoafetiva. Nada disso, o STF estava apenas garantindo os direitos de um segmento da sociedade. Essa é sua função.

CC: Quais foram os outros aspectos criticados?
RG: Eles também criticaram uma passagem da entrevista na qual eu contesto a visão de um Deus títere, controlador da história e da liberdade humana, como se tudo que acontecesse de bom ou ruim fosse por vontade divina e ou tivesse algum significado maior. E apresentaram um argumento risível: o de que a minha tese coloca em xeque a ideia de um Deus soberano. Claro que sim! Deus soberano é uma visão construída na Idade Média, e serviu muito aos interesses de nobres e pessoas do clero que, para justificar seu poder, se colocavam como representantes da vontade divina na terra. Só que essa visão é incompatível com o mundo de hoje. O Estado é laico. As pessoas guiam os seus destinos. Deus não pode ser culpado por uma guerra, por exemplo. Não vejo nisso nenhuma expressão da vontade divina, nem como punição.

CC: O fato de o senhor ter criticado a expansão do movimento evangélico no País também foi destacada?
RG: Sim. Eu fiz um contraponto à tese de que o Brasil ficará melhor com o crescimento da comunidade evangélica. Não acho que é bem assim. Critica-se muito a Europa pelo fato de as igrejas de lá estarem vazias, mas eu não vejo isso como um sinal de decadência. Ao contrário, igreja vazia pode ser sinal do cumprimento de preceitos do protestantismo se os cidadãos estão mais engajados com suas comunidades, dedicados às suas famílias, preocupados com os direitos humanos, vivendo os preceitos do cristianismo no cotidiano. Eu critico essa visão infantilizadora da vida, na qual um evangélico precisa da igreja para tudo e Deus é responsável por tudo o que acontece.

CC: O senhor se arrepende de ter concedido aquela entrevista à CartaCapital?
RG: De maneira alguma. O repórter Gerson Freitas Jr. até conversou comigo, preocupado com a reação que as minhas declarações poderia causar na comunidade evangélica. Mas a entrevista foi excelente para distinguir algumas coisas. Nem todos os evangélicos pensam como esses grupos midiáticos que confundem preceitos religiosos com ordenamento jurídico e querem impor sua vontade a todos. Eu já esperava alguma reação, só não sabia que viria com tanta virulência. Um evangélico chegou a dizer, pelo Twitter, que se pudesse arrancaria a minha cabeça. É como se vivêssemos nos tempos da Inquisição. Recebi inúmeros e-mails com ofensas e mensagens de ódio. Não sei precisar quantos, porque fui deletando na medida em que chegavam à caixa postal. Também surgiram centenas de textos me satanizando em blogs, sites e redes sociais.

CC: E entre os fiéis da sua igreja? Houve algum constrangimento?
RG: Alguns, influenciados pelo bafafá na internet, vieram me questionar. Então fiz questão de dar uma satisfação à minha comunidade. Após discursar, acabei aplaudido de pé, fiquei até meio constrangido diante daquela manifestação de apoio.

Observação: Todos os comentários no site da CartaCapital estão submetidos a moderação. Não serão tolerados textos ofensivos, de teor preconceituoso ou com acusações injuriosas.

Crédito da foto: Olga Vlahou.
Rodrigo Martins

Rodrigo Martins é repórter da revista CartaCapital há cinco anos. Trabalhou como editor assistente do portal UOL e já escreveu para as revistas Foco Economia e Negócios, Sustenta!, Ensino Superior e Revista da Cultura, entre outras publicações. Em 2008 foi um dos vencedores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Acompanhe também pelo www.twitter.com/rodrigomartins0.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/como-nos-tempos-da-inquisicao

Professora Amanda Gurgel, do RN, fala sobre situação crítica da educação e vira heroína nas redes sociais

RIO - A professora do Rio Grande do Norte Amanda Gurgel virou heroína da causa da classe, por melhores salários, nas redes sociais. Um vídeo no qual ela silencia os deputados do RN em audiência pública quando fala sobre a situação crítica da educação já tem mais de 54 mil visualizações no You Tube. Desde o começo da tarde desta quarta-feira (18) o nome “Amanda Gurgel” já está na lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter.

Em seu depoimento, Amanda Gurgel acaba fazendo um resumo preciso sobre o quadro da educação no Brasil apresentando seu contracheque de R$ 930 reais. “Como as pessoas até agora, inclusive a secretária Bethania Ramalho, apresentaram números, e números são irrefutáveis, eu também vou fazê-lo. Apresento um número de três algarismos apenas, que é o do meu salário, de R$ 930".

A professora continua seu discurso dizendo que "os deputados deveriam estar todos constrangidos com a educação no estado do Rio Grande do Norte e no Brasil. Não aguentamos mais a fala de vocês pedindo para ter calma. Entra governo, sai governo, e nada muda. Precisamos que algo seja feito pelo estado e pelo Brasil. O que nós queremos agora é objetividade”.

fonte: http://extra.globo.com/noticias/educacao/professora-amanda-gurgel-do-rn-fala-sobre-situacao-critica-da-educacao-vira-heroina-nas-redes-sociais-1840767.html

BLOG DO ROSSINY CAVALCANTI: Finalmente sai primeiro beijo gay da tevê

Casal Félix e Niko contracenam primeiro beijo gay em novela brasileira
Casal Félix e Niko contracenam primeiro beijo gay em novela brasileira
Publicação: 31/01/2014 22:17 Atualização: 31/01/2014 22:20
Foto: TV Globo/Reprodução
Foto: TV Globo/Reprodução
A polêmica, enfim, acabou. O tão esperado beijo gay em uma novela das nove ocorreu nesta sexta-feira (31/1), durante a exibição do último capítulo da novela Amor à vida. O casal Félix (interpretado pelo ator brasiliense Mateus Solano) e Niko (de Tiago Fragoso) se beijaram no folhetim de Walcyr Carrasco.
Ao longo da última semana, a expectativa do beijo crescia cada vez mais. Nessa terça-feira (28/1), o perfil oficial da Rede Globo nas redes sociais postou a hashtag #feliko, indicado que a cena poderia ocorrer.
Félix começou a novela como o grande vilão, porém, após ter sido humilhado e terminar vendendo cachorro-quente nas ruas, ele caiu nas graças do público e, terminou o folhetim, como um dos personagens mais carismáticos. Niko, que sofreu na mão do ex-companheiro Eron e da médica Amarilys, também acabou sendo aceito pela audiência. Dessa forma, a união dos dois personagens colocou o casal como o mais forte candidato ao primeiro beijo gay das novelas.
Esse não é o primeiro beijo gay da Rede Globo. Na atração Amor & Sexo, comandada por Fernanda Lima, dois homens tinham trocado carícias (leves) em cena. O mais recente caso foi o Big Brother Brasil 14 que transmitiu (com cortes, é verdade) os beijos das participantes Vanessa e Clara.
Fonte: https://robertamalmeida.wordpress.com/2014/02/01/casal-felix-e-niko-contracenam-primeiro-beijo-gay-em-novela-brasileira/

Finalmente sai primeiro beijo gay da tevê

Publicado em 24 24America/Recife maio 24America/Recife 2011 por robertamalmeida

23/05/2011 – 11h45

Por : André Fischer,

Finalmente sai primeiro beijo gay da tevê


1o beijo entre homens na tv brasileira já tem data marcada. Veja cena e comentário do protagonista.

Rodrigo Candelot e Mauricio Branco são namorados em Natalia


O primeiro beijo entre homens em novelas da tevê brasileira vai finalmente acontecer.
Vai ser no seriado Natália da TV Brasil, a rede pública federal. A cena será protagonizada pelo booker de modelos encarnado por Maurício Branco e Rodrigo Candelot (o coronel Formoso de Tropa de Elite), na frente da chefe Claudia Ohana e será um longo beijo de despedida.

Maurício Branco, que apresentou recentemente o quadro Gayme no programa Amor & Sexo da Tv Globo, conta como foi a gravação da cena histórica.

“Rodrigo foi escalado para fazer seu namorado francês na série. No dia da gravação ele queria dar um beijo rápido porque na verdade não queríamos que o beijo fosse o ponto principal da cena. Gostaríamos de mostrá-lo de forma espontânea sem alardes. Mas na hora do ensaio pedi que Rodrigo demorasse mais. Já que daríamos o primeiro beijo em canal aberto,gostaria que as pessoas vissem um beijo de verdade,com amor.E foi o que aconteceu!

Não perca: 17 de julho, às 22h30h, na série Natália, da TV Brasil.

fonte:http://mixbrasil.uol.com.br/cultura-gls/televisao/finalmente-sai-primeiro-beijo-gay-da-teve.html

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fonte: http://robertamalmeida.wordpress.com/2011/05/24/finalmente-sai-primeiro-beijo-gay-da-teve/
acesso: 24/05/2011

domingo, 3 de abril de 2011

A ética abortista

Análise
A ética abortista
Os argumentos pela vida não são apenas religiosos
Por padre John Flynn, L.C.

ROMA, domingo, 3 de abril de 2010 (ZENIT.org) - Os defensores do direito ao aborto costumam criticar os que apoiam a vida por supostamente tentar impor suas crenças religiosas aos demais. Ainda que a religião proporcione ao debates sólidos argumentos, estes não são apenas religiosos, como destaca um livro de recente publicação.

Christopher Kaczor, em ‘The Ethics of Abortion: Women's Rights, Human Life and the Question of Justice’ (A Ética do Aborto: Direitos das Mulheres, Vida Humana e a Questão da Justiça) (Editora Routledge), toma uma postura filosófica perante o aborto e explica por que não é justificável.

Um dos pontos chave que Kaczor enfrenta é: quando se começa a ser pessoa. Alguns defensores do aborto sustentam que se pode distinguir os humanos das pessoas. Um exemplo dado é o de Mary Anne Warren, que oferece critérios para se levar em conta antes de dizer de alguém que ele é uma pessoa.

Ela propõe que as pessoas têm consciência dos objetos e dos acontecimentos e a capacidade de sentir dor. Têm também a força da razão e a capacidade para atividade auto-motivada, junto à capacidade de comunicação.

Como resposta a tais argumentos, Kaczor assinala que, usando tais critérios, seria difícil sustentar razões contra o infaticídio, posto que um bebê recém-nascido não cumpre tais critérios.

Por outro lado, não deixamos de ser pessoas quando estamos dormindo ou sedados em uma operação cirúrgica, ainda que nesses momentos não sejamos conscientes nem estejamos em movimento. De igual forma, quem sofre de demência ou os deficientes não satisfazem os critérios de Warren para ser pessoas.

Uma questão de lugar

Outro posicionamento para justificar o aborto é o que se baseia na localização, quer dizer, se se está fora ou dentro do útero. Kaczor afirma que a pessoa vai muito além da simples localização. Se admitimos este argumento, segue-se que, quando há uma fecundação artificial fora do útero, o novo ser teria o status de pessoa, mas logo o perderia quando fosse implantado, voltando a ganhá-lo quando saísse do útero.

Há também casos de cirurgia fetal aberta, procedimento em que o feto humano é extraído do útero. Se determinarmos o ser pessoa por uma existência fora do útero, nos veríamos na inverossímil situação de que em tais casos o feto é uma ‘não-pessoa’, que depois passa a ser ‘pessoa’, para depois voltar a ser ‘não pessoa’, já que retorna ao útero, para depois tornar-se ‘pessoa’, quando nascer.

Excluindo portanto a localização como critério para ser considerado pessoa, Kaczor discute a questão de se a condição de pessoa se estabelece em algum ponto entre a concepção e o nascimento. Ele observa que a viabilidade, quer dizer, se o feto no útero é potencialmente capaz de viver fora do ventre materno, era citada pelo Supremo Tribunal dos EUA no processo ‘Roe v. Wade’ como um modo de determinar se os fetos humanos merecem alguma proteção legal.

Contudo, segundo Kaczor, esta postura tem seus problemas. Por exemplo, os gêmeos unidos dependem em ocasiões um do outro para viver e, ainda assim, ambos são considerados pessoas.

A viabilidade também estabelece um problema, porque nos países ricos, com avançados cuidados médicos, os fetos se tornam viáveis antes que nos países pobres. E os fetos femininos são viáveis antes que os masculinos. As diferenças de sexo e de riqueza deveriam influir em quem é pessoa ou não?

Outra ideia é considerar que a capacidade de sofrer dor ou desfrutar do prazer é o que poderia marcar o começo do direito à vida, continua Kaczor. Isso tampouco é suficiente, pois exclui os que estão sob anestesia ou em coma. Ademais, alguns animais têm esta capacidade.

Ética ‘gradual’

A resposta pró-abortista às críticas anteriores adota a forma do ponto de vista ‘gradual’. Kaczor explica que isso consiste em sustentar que o direito à vida aumenta em força de modo gradual conforme se desenvolve a gravidez, e quanto mais similar um feto é de uma pessoa como nós, maior proteção deveria ter.

No entanto, Kaczor observa que há uma diferença entre o direito à vida e o restante dos direitos. Há restrições de idade para votar, dirigir ou ser eleito para um cargo público. Isso acontece porque o direito em questão exige uma capacidade para assumir as responsabilidades implicadas.

Pelo contrário, o direito à vida não contém implicitamente nenhuma responsabilidade e, por isso mesmo, pode ser desfrutado sem ter em conta a idade ou as capacidades mentais.

Outro problema da postura ‘gradual’ é que o desenvolvimento humano não termina com o nascimento. Se o status moral se vincula ao desenvolvimento psicológico, matar alguém de 14 anos iria requerer uma justificativa maior que matar um de 6.

Kaczor afirma que o erro desses argumentos nos leva à conclusão de que, se não há diferenças eticamente relevantes entre os seres humanos em suas diversas etapas de desenvolvimento que faça com que alguém não seja uma ‘pessoa’, a dignidade e o valor de uma pessoa não começa depois de seu nascimento, nem em momento algum de sua gestação. Todo ser humano é também uma pessoa humana.

A história nos apresenta muitos exemplos da necessidade de respeitar todo ser humano como pessoa portadora de dignidade. Kaczor argumenta que em teria ninguém atualmente, ao menos no Ocidente, defenderia a escravidão, a misoginia ou o antissemitismo.

A pessoa começa com a concepção?

Segundo Kaczor, essa questão não é a princípio moral, mas científica. Ele cita textos científicos e médicos que afirmam que com a concepção há o início de nova vida humana e uma mudança fundamental com a criação de um ser com 46 cromossomos.

Após a fecundação não há presença de nenhum agente exterior que mude o organismo recém-concebido em algo que seja diferente. Pelo contrário, o embrião humano se auto-desenvolve para futuras etapas.

“Fazendo uma analogia, o embrião humano não é um mero modelo detalhado da casa que se construirá, mas uma casa minúscula que se faz cada vez maior e mais complexa, através de seu auto-desenvolvimento ativo para a maturidade”, esclarece o autor.

Após isso, os últimos capítulos do livro analisam alguns argumentos utilizados pelos defensores do aborto. Examina-os um por um, mostrando suas debilidades.

Por exemplo, tem-se sustentado que, posto que nas primeiras etapas há a possibilidade de que haja uma divisão em dois irmãos, o embrião não é um ser humano individual. Kaczor rebate isso dizendo que, ainda que se possa dividir em dois seres, isso não significa que não seja um ser individual.

Ele comenta que a maioria das plantas pode dar lugar a mais plantas individuais, mas isso não significa que uma planta não possa ser uma planta individual e diferente.

O autor analisa também alguns casos difíceis como as gravidezes resultado de violação ou incesto. A personalidade do feto, insiste Kaczor, não depende da forma como foi concebido. “És o que és, sem importar as circunstâncias de tua concepção e nascimento”, afirma.

O livro de Kaczor, como uma argumentação sólida, contém muitos raciocínios cuidadosamente elaborados, o que o torna uma valiosa fonte de inspiração para os que lutam por defender a vida humana.
fonte:zenit.org