terça-feira, 11 de novembro de 2008

Dinamarquês de 22 anos ganha mais de US$ 9 milhões em Las Vegas

Dinamarquês de 22 anos ganha mais de US$ 9 milhões em Las Vegas
Publicidade
colaboração para a Folha Online

O dinamarquês Paul Eastgate, 22, ganhou US$ 9,15 milhões (equivalente a R$ 20 milhões) no campeonato mundial de pôquer na manhã desta terça-feira em Las Vegas.

Isaac Brekken/AP

Dinamarquês Peter Eastgate posa para fotos com fortuna de cerca de R$ 20 milhões
Com a vitória, Eastgate se tornou o campeão mais novo da história do campeonato, informou o site Las Vegas Reviewjournal.com.

O segundo colocado, o russo Ivan Demidov, 27, ganhou US$ 5,8 milhões. A partida teve início às 22h30 de ontem e terminou nesta madrugada, às 2h30.

Durante o jogo, Eastgate esteve atrás de Demidov, mas conseguiu reverter o jogo e ganhou com uma vantagem de 7 para 1. O recorde anterior era do jogador Phil Hellmuth, de 24 anos, que ganhou o campeonato em 1989.

fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u466441.shtml

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Discurso de Bento XVI ao Fórum Católico-Muçulmano

Documentação



Discurso de Bento XVI ao Fórum Católico-Muçulmano
Chamado a colaborar no respeito autêntico à dignidade da pessoa humana


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI dirigiu nesta quinta-feira, na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano, aos participantes do seminário organizado pelo Fórum Católico-Muçulmano, instituído pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e por expoentes muçulmanos.
* * *
Queridos amigos:
Com muita alegria vos dou as boas-vindas nesta manhã e saúdo cordialmente a todos. Agradeço em especial ao cardeal Jean-Louis Tauran, ao xeique Mustafa Ceric e ao senhor Seyyed Hossein Nasr por suas palavras. Nosso encontro se celebra ao concluir o importante seminário organizado pelo Fórum Católico-Muçulmano, instituído pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e por representantes dos 138 líderes muçulmanos que assinaram a carta aberta aos líderes cristãos, de 13 de outubro de 2007.
Este encontro é um sinal claro de nossa estima recíproca e de nosso desejo de escutar-nos uns aos outros com respeito. Posso assegurar-vos que acompanhei com a oração os progressos de vosso encontro, consciente de que representa um ulterior passo no caminho para uma maior compreensão entre muçulmanos e cristãos, no âmbito de outros encontros regulares que a Santa Sé promove com diferentes grupos muçulmanos. A carta aberta «Uma palavra comum entre vós e nós» recebeu numerosas respostas e suscitou um diálogo, iniciativas e encontros específicos, orientados a ajudar-nos a conhecer-nos mutuamente de maneira mais profunda e a crescer na estima por nossos valores compartilhados. O grande interesse suscitado por este seminário é para nós um incentivo a assegurar que as reflexões e os desenvolvimentos positivos que surgem do diálogo entre cristãos e muçulmanos não se limitem a um grupo restringido de especialistas e eruditos, mas que se transmitam como um precioso legado para ser posto ao serviço de todos, para que dê frutos no mundo no qual vivemos cada dia.
O tema que haveis escolhido para o encontro, «Amor a Deus e amor ao próximo: a dignidade da pessoa humana e o respeito recíproco», é particularmente significativo. Está tomado da carta aberta, que apresenta o amor de Deus e o amor ao próximo como centro tanto do islã como do cristianismo. Este tema sublinha de maneira mais clara ainda as bases teológicas e espirituais de um ensinamento central de nossas respectivas religiões.
A tradição cristã proclama que Deus é Amor (cf. 1 João 4, 16). Por amor, criou todo o universo, e com seu amor se faz presente na história humana. O amor de Deus se fez visível, manifestando-se de maneira plena e definitiva em Jesus Cristo. Ele desceu para sair ao encontro do homem e, apesar de continuar sendo Deus, assumiu nossa natureza. Entregou-se para restituir a plena dignidade a cada pessoa e para oferecer-nos a salvação. Como poderíamos explicar o dom da encarnação e da redenção sem o Amor? Este amor infinito e eterno nos permite responder oferecendo todo o nosso amor: amor a Deus e amor ao próximo. Eu quis sublinhar esta verdade, que consideramos fundamental, em minha primeira encíclica, Deus Caritas est, pois é um ensinamento central da fé cristã. Nosso chamado e nossa missão consistem em compartilhar livremente com os demais o amor que Deus nos dá sem nenhum mérito por nossa parte.
Sou consciente de que muçulmanos e cristãos têm propostas diferentes sobre as questões concernentes a Deus. Contudo, podemos e temos de ser adoradores do único Deus que nos criou e que se preocupa por cada pessoa em todas as partes do mundo. Juntos, temos de mostrar, com o respeito recíproco e a solidariedade, que nos consideramos membros de uma só família: a família que Deus amou e reuniu desde a criação do mundo até o final da história humana.
Agradou-me saber que em vosso encontro se pôde adotar uma postura comum sobre a necessidade de adorar Deus e de amar o nosso próximo, homens e mulheres, desinteressadamente, sobretudo dos necessitados. Deus nos chama a trabalhar juntos a favor das vítimas da enfermidade, da fome, da pobreza, da injustiça e da violência.
Para os cristãos, o amor de Deus está ligado de forma inseparável ao amor aos nossos irmãos e irmãs, a todos os homens e mulheres, sem distinção de etnia ou cultura. Como escreve São João, «se alguém diz: ‘Amo a Deus’ e odeia seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (1 João 4, 20).
A tradição muçulmana é também muito precisa ao alentar ao compromisso prático a favor dos mais necessitados e recorda precisamente a própria «regra de ouro»: vossa fé não será perfeita se não fazeis aos demais o que quereis para vós mesmos.
Por isso, deveríamos cooperar na promoção do respeito autêntico da dignidade da pessoa humana e de seus direitos fundamentais, ainda quando nossas visões antropológicas e nossas teologias o justifiquem de formas diferentes. Há um setor amplíssimo no qual podemos trabalhar juntos: a defesa e a promoção dos valores morais que são parte de nossa herança comum.
Só se reconhecermos o papel central da pessoa e a dignidade de cada ser humano, respeitando e defendendo a vida, que é um dom de Deus, e que portanto é sagrado tanto para os cristãos como para os muçulmanos, encontraremos os pontos em comum para construir um mundo mais fraterno, no qual os confrontos e as diferenças se desfaçam pacificamente e se neutralize o poder devastador das ideologias.
Desejo, mais uma vez, que se protejam os direitos humanos fundamentais de todas as pessoas, em todos os lugares. Os líderes políticos e religiosos têm o dever de garantir o livre exercício destes direitos respeitando plenamente a liberdade de consciência e de religião de cada um. A discriminação e a violência à qual ainda estão submetidos os crentes no mundo, e as perseguições com freqüência violentas às que se vêem sujeitos, são ações inaceitáveis e injustificáveis, e são mais graves e deploráveis quando se levam a cabo em nome de Deus.
O nome de Deus só pode ser um nome de paz e fraternidade, justiça e amor. Estamos chamados a demonstrar, com nossas palavras e sobretudo com nossos atos, que a mensagem de nossas religiões é inevitavelmente uma mensagem de harmonia e de entendimento mútuo. É fundamental fazê-lo, porque do contrário enfraqueceríamos não só a credibilidade e a eficácia de nosso diálogo, mas também nossas próprias religiões.
Rezo para que o Fórum Católico-Muçulmano, que agora está dando seus primeiros passos com confiança, possa converter-se cada vez mais em um espaço de diálogo; e que nos ajude a percorrer juntos o caminho rumo a um conhecimento cada vez mais pleno da Verdade. Este encontro é também uma ocasião privilegiada para comprometer-nos a favor de uma busca mais profunda do amor a Deus e do amor ao próximo, condição indispensável para oferecer aos homens e às mulheres de nosso tempo um serviço autêntico de reconciliação e de paz.
Queridos amigos: unamos nossos esforços, animados pela boa vontade, para superar todos os mal-entendidos e desacordos! Temos que decidir-nos a superar os preconceitos passados e a corrigir a percepção freqüentemente distorcida do outro, que podem criar ainda hoje dificuldades em nossas relações. Trabalhemos para educar todas as pessoas, sobretudo os jovens, na construção de um futuro comum.
Que Deus nos apóie em nossas boas intenções e permita que nossas comunidades vivam com coerência a verdade do amor, que constitui o coração do crente e a base do respeito da dignidade de cada pessoa. Que Deus, misericordioso e compassivo, nos assista nesta comprometedora missão, que nos proteja, nos abençoe e ilumine com a potência d seu amor!
[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri
© Libreria Editrice Vaticana]
fonte: Zenit.org

Voto sobre casamento na Califórnia

Voto sobre casamento na Califórnia
Alguns estados baniram o casamento gay

LOS ANGELES, 6 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Los Angeles disse que a votação na Califórnia para banir o casamento gay foi o resultado de uma «coalizão sem precedentes» que «compreendeu a importância de manter os fundamentos da instituição do casamento».
O cardeal Roger Mahony afirmou ontem em seu discurso à comunidade Católica e outros que apoiaram a Proposição 8, que indica à Constituição do Estado da Califórnia incluir uma definição de casamento sendo o ato realizado entre um homem e uma mulher.
«A Proposição 8 foi o resultado de uma coalizão sem precedentes de muitas comunidades religiosas e outros cidadãos que compreenderam a importância de manter os fundamentos da instituição do matrimônio», escreveu o cardeal Mahony.
«Nossos esforços coletivos no apoio à Proposição 8 centraram-se somente na preservação do plano de Deus, que o casamento entre um homem e uma mulher deve ser esta realidade imutável pela qual seu amor mútuo se torna frutífero ao trazer à vida crianças que continuem a família humana.»
«A criação, a formação e educação destas crianças é destinada por Deus para acontecer em uma família tradicional de um pai e uma mãe.»
O cardeal indicou que a Proposição 8 é um voto positivo. Ao invés de se colocar contra qualquer grupo social, busca preservar o plano de Deus «para as pessoas viverem na terra através dos tempos», disse. O prelado exortou as pessoas a viverem a nova definição constitucional com um contínuo apoio ao casamento e às famílias.
A Conferência Episcopal do Arizona também emitiu um pronunciamento aos votantes «de todos os credos e estilos de vida» que se uniram para aprovar sua Proposição 102, que oferecerá uma definição do casamento na constituição do estado. «Estamos especialmente gratos por ver a tremenda resposta dos católicos que se uniram aos esforços dos bispos para que esta medida fosse aprovada», dizia o pronunciamento da Conferência.
O resultado foi monumental porque, em 2006, o Arizona se tornou o único estado a rejeitar uma emenda do casamento. Com os votos da terça-feira passada, a rejeição anterior foi substituída, elevando a 30 o número de estados que protegem o casamento em suas constituições.
A Flórida também aprovou uma emenda na qual banirá o casamento gay. Esse voto foi notável, pois eram necessários 60%, e obtemos 62%.
O resultado na Califórnia foi o mais monumental, diante dos 18 mil casamentos gays que aconteceram desde maio deste ano. Essa emenda, que ganhou 52% dos votos, se sobreporá à decisão da Suprema Corte, que legalizou o casamento gay até então.
Fundos para a campanha pró e contra esta proposição alcançaram um recorde sobre qualquer outro assunto social nos Estados Unidos, gerando 73 milhões de dólares de todos os estados e diversos países do exterior.
fonte: Zenit.org

Papa à nova embaixadora do Egito: religiões, fatores de paz

Papa à nova embaixadora do Egito: religiões, fatores de paz
Elogiou o papel do país no diálogo entre cristãos e Islã


Por Inma Álvarez
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI afirmou nesta quinta-feira que as religiões «podem e devem ser fatores de paz», na audiência concedida à nova embaixadora do Egito na Santa Sé, Lamia Aly Mekhemar, ao apresentar suas cartas credenciais.
«Infelizmente, a religião pode ser mal-entendida e ser utilizada para provocar a violência ou a morte», explicou o Papa. Para evitá-lo, é necessário promover «o respeito da sensibilidade e a história de cada país, de cada comunidade humana e religiosa» através de «consultas e reuniões multilaterais».
Mas antes de tudo, acrescentou, é necessário «um desejo genuíno de busca da paz, que promoverá a reconciliação dos povos e a coexistência pacífica entre todos».
«Isso é o que a Santa Sé pede, e ela sabe que são também os desejos de Egito», explicou o bispo de Roma, que elogiou «os esforços realizados pelo Egito e seus governantes para alcançar gradualmente este nobre objetivo».
«O Egito está na vanguarda na busca de pontes entre os povos e as religiões. Tais relações se baseiam certamente em um profundo respeito mútuo de nossas identidades, mas também, e sobretudo, um desejo genuíno de promover a unidade e a paz, tanto dentro das fronteiras nacionais como dentro dos espaços internacionais.»
O Santo Padre afirmou que este país, fronteira natural entre a Ásia e África, «sempre foi conhecido por ser uma terra de acolhida dos inumeráveis refugiados, muçulmanos e cristãos, que buscaram a segurança e a paz em sua terra. Que esta nobre tradição continue pelo bem de todos».
Referiu-se especialmente aos encontros que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e a universidade Al-Azhar Al Sharif do Cairo têm regularmente e que contribuíram «para uma compreensão e um respeito recíproco entre o Islã e o Cristianismo».
Este diálogo, insistiu o sucessor do apóstolo Pedro, supõe «uma oportunidade para o mundo, uma oportunidade oferecida por Deus que é preciso aproveitar e viver da melhor forma possível».
Para percorrer este longo caminho, «é necessário promover um bom conhecimento recíproco, que não pode limitar-se ao pequeno círculo do fórum de diálogo, mas que gradualmente deve estender-se a todas as pessoas, para que dia a dia, nas cidades e aldeias, desenvolva-se uma atitude de respeito mútuo».
Bento XVI aproveitou para enviar uma saudação aos católicos egípcios, que «ainda que reduzidos em número, manifestam a grande diversidade que existe no seio de nossa Igreja e a possibilidade de uma convivência harmoniosa entre as grandes tradições cristãs orientais e ocidentais».
Ele concluiu solicitando que se atendam as necessidades dos turistas que visitam anualmente o Egito e que desejam poder praticar sua religião. «Estou convencido de que logo se dará a oportunidade de orar a Deus, com a dignidade adequada, nos lugares de culto das novas atrações que se desenvolveram nos últimos anos. Seria um bom sinal que o Egito daria ao mundo, mediante a promoção da amizade e das relações fraternas entre as religiões e os povos em total acordo com sua antiga e nobre tradição». fonte: Zenit.org

Cristãos e muçulmanos proclamam direitos da pessoa

Cristãos e muçulmanos proclamam direitos da pessoa
Conclui em Roma o fórum católico-muçulmano


Por Inma Álvarez
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Ao concluir hoje, em Roma, o primeiro Fórum Católico-Muçulmano, os representantes de ambas as religiões divulgaram um comunicado no qual mostram seu apoio comum à dignidade e aos direitos da pessoa. Em sua redação participaram 24 expoentes e 5 conselheiros de cada religião. O tema do seminário foi «Amor a Deus, amor ao próximo».
O comunicado apresenta em 15 pontos as várias afirmações comuns quanto ao respeito devido à pessoa, tanto homem como mulher, independentemente de suas crenças. Também afirma o respeito aos direitos das minorias e à liberdade de consciência.
O fórum, que pela primeira vez reúne representantes islâmicos das diferentes correntes – xiitas, sunitas e outros – do mundo inteiro, constitui uma iniciativa do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e de representantes dos 138 líderes muçulmanos que escreveram uma carta aberta ao Papa e aos líderes religiosos cristãos com o título «Uma Palavra Comum» (http://www.acommonword.com).
No primeiro ponto, o comunicado mostra como a concepção de um Deus fonte de amor é compartilhada por ambas as religiões. Para os cristãos, esse amor se mostra em Cristo e é inseparável do amor ao próximo. Para os muçulmanos, o amor é um «poder eterno transcendente que dirige e transforma o respeito mútuo» e emana de Deus.
Como conseqüência, ambos proclamam que a vida humana «é o presente mais belo de Deus a cada pessoa», que deve ser «conservado e honrado em todas as suas etapas». Insistem em que é necessário reconhecer a igual dignidade de homens e mulheres.
Além disso, defendem “o direito de indivíduos e comunidades de praticar sua religião privada e publicamente», assim como o respeito às minorias religiosas.
«Nenhuma religião nem seus seguidores deveriam ser excluídos da sociedade. Cada um deveria ser capaz de dar sua contribuição indispensável para o bem da sociedade, sobretudo no serviço ao mais necessitado», acrescenta o comunicado.
Eles concluem que tanto católicos como muçulmanos estão chamados «a ser instrumentos de amor e harmonia entre crentes e para a humanidade em geral, renunciando a qualquer tipo de opressão, violência agressiva e terrorismo, sobretudo quando cometidos em nome da religião, e mantendo o princípio de justiça para todos».
Além disso, consideram a diversidade de culturas e religiões como querida por Deus e como ocasião de enriquecimento mútuo, e se comprometem a que estas diferenças não sejam causa de conflitos.
Ambas as partes se declaram satisfeitas pelo trabalho realizado. Prevê-se que o fórum volte a se reunir dentro de dois anos, em um país de maioria muçulmana, ainda não especificado.
finte: Zenit.org

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Necessidade de frear êxodo de cristãos do Oriente

Necessidade de frear êxodo de cristãos do Oriente
A presença cristã é necessária para o diálogo com o Islã, segundo o patriarca greco-melquita


Por Inma Álvarez
ROMA, sexta-feira, 24 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Se a Europa e os Estados Unidos querem instaurar um clima de paz no Oriente Próximo e combater o terrorismo, devem preocupar-se por manter viva a presença cristã nestas terras. Assim afirmou o patriarca greco-melquita de Antioquia, Sua Beatitude Gregório III Laham, em uma entrevista concedida ao L'Osservatore Romano e publicada em sua edição de hoje.
O patriarca afirma que o atual êxodo dos cristãos é «uma hemorragia que está enfraquecendo lentamente o povo da paz na terra da paz», especialmente na Terra Santa, mas também no Líbano, Jordânia, Síria, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes.
A difícil situação que os cristãos atravessam nestes países nos quais são minoria está se agravando, afirmou o prelado, «pelas ameaças cada vez mais fortes e os episódios de violência, que são cada vez mais freqüentes».
Se o êxodo continuar, afirma, «poderiam criar blocos separados e seria cada vez mais difícil falar de convivência entre uma Europa de maioria cristã, um mundo árabe totalmente islâmico e um pequeno território totalmente hebraico».
«Isso suporia verdadeiramente o risco de um choque de civilizações que não se conhecem, de culturas que não se falam, de religiões que não se respeitam reciprocamente».
Portanto, se os países ocidentais «querem a paz e querem verdadeiramente pôr fim ao terrorismo, se querem manter uma relação construtiva com o mundo islâmico, devem preocupar-se por manter viva a presença, o testemunho da comunidade cristã nestas terras».
«Para evitar que o fundamentalismo cresça com o pretexto da pureza da fé e alimente o terrorismo, é preciso enfrentar o problema na raiz», acrescenta o patriarca Laham.
O prelado greco-melquita aproveitou sua presença em Roma pelo Sínodo para fazer um convite a todos os bispos para «que façam tudo o que puderem para pedir a paz em Jerusalém, como rezamos nos salmos».
«Paz para Jerusalém significa paz para o mundo todo, mas sobretudo que se permita aos cristãos que continuem dando seu testemunho no Oriente Próximo», um testemunho que o prelado define como maravilhoso.
O Sínodo, muito importante
Sua Beatitude Gregório III Laham alude também à sua experiência do Sínodo, e acrescentou que voltará à sua terra «mais rico» e desejoso de transmitir o vivido aos cristãos de seu país, mas «também aos muçulmanos: que Deus ama o mundo todo, que ama todos os homens».
Os cristãos do Oriente Próximo, acrescenta, devem fazer a Palavra de Deus chegar «a muçulmanos e a hebreus. Devemos encontrar caminhos que nos ajudem a fazer todos convergirem a um ponto de encontro. Esta é nossa missão».
Neste sentido, acrescentou, o Sínodo «evidenciou a necessidade do diálogo com o mundo hebraico e com o mundo islâmico, ainda que também houve reticência».
«Minha impressão de é que muitos bispos ainda não têm muito presente a importância que o Islã está adquirindo no mundo, e que não se preocupam muito por conhecê-lo com mais profundidade», acrescenta.
O patriarca espera que deste Sínodo saia «uma Palavra forte, cheia de uma confiança e uma esperança renovada. A mensagem responde fielmente ao entusiasmo de Paulo, o Apóstolo sob cuja guia se pôs este Sínodo. Encontro nesta mensagem um grande poder para enfrentar o diálogo em sentido cristão com todos, na clareza da luz cristã, que é verdadeiramente a luz do mundo». fonte:zenit.org

Bento XVI reafirma importância da leitura espiritual da Bíblia

Bento XVI reafirma importância da leitura espiritual da Bíblia
Hoje durante a oração do Ângelus


Por Inma Álvarez
CIDADE DO VATICANO, domingo, 26 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI explicou, durante a saudação aos peregrinos na Praça de São Pedro por ocasião do Ângelus, a importância de unir a leitura espiritual com a exegese científica na hora de se aproximar da leitura da Bíblia.
Este tema, explicou o Papa, foi um aspecto sobre o qual se refletiu durante o Sínodo, «a relação entre a Palavra e as palavras, isto é, entre o verbo divino e as escrituras que o expressam».
«A Sagrada Escritura é Palavra de Deus em palavras humanas. Isso implica que todo o texto deve ser lido tendo presente a unidade de toda a Escritura, a viva tradição da Igreja e a luz da fé», afirmou o Papa.
«Se é verdade que a Bíblia é também uma obra literária, ou mais ainda, o grande código da cultura universal, também é verdade que ela não deve se despojar do elemento divino, mas ser lida no mesmo Espírito em que foi composta.»
Portanto, acrescentou, tanto a exegese científica como a lectio divina são importantes; «ambas são necessárias e complementárias para buscar, através do significado literal, o espiritual, que Deus quer nos comunicar hoje».
Neste sentido, referindo-se aos ensinamentos da constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, recordou que «uma boa exegese bíblica exige tanto o método histórico-crítico como o teológico».
O Papa se referiu também ao recentemente concluído Sínodo dos Bispos como «uma experiência forte de comunhão eclesial, mas esta ainda mais porque no centro da atenção foi colocado o que ilumina e guia a Igreja: a Palavra de Deus, que é Cristo em pessoa».
«Vivemos cada dia em escuta religiosa, advertindo toda a graça e a beleza de ser seus discípulos e servidores – acrescentou – e experimentamos a alegria de ser convocados pela Palavra, e especialmente na liturgia encontramos o caminho dentro dela, como nossa terra prometida, que nos leva a antegozar o Reino dos céus.»